A consequência da mentalidade contraceptiva não poderia ser outra: famílias cada vez menores e dilaceradas pelo divórcio.
Quando João XXIII recebeu no Palácio Apostólico a visita de dez irmãos, sendo nove religiosos e um bispo, logo disparou: "Uma mamãe? Sim, Santidade, uma mamãe". A cena é belíssima e, de certo modo, nostálgica, uma vez que famílias com muitos filhos têm se tornado um espécime raro ano após ano, mesmo entre os católicos. As últimas pesquisas relativas à taxa de fecundidade no Brasil, por exemplo, indicam um declínio contínuo a partir da década de 1960, período em que o governo passou a disseminar os métodos anticoncepcionias, como política de saúde pública. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a quantidade de crianças por família no país é de 1,9. Número relativamente aquém do necessário para reposição da população que, conforme especialistas, seria de 2,1 no mínimo.
"Não, eu não quero mais um filho, porque não poderemos viajar de férias, não poderemos ir a tal lugar, não poderemos comprar uma casa". É o que costumam dizer aqueles que veem com pavor a ideia de ter uma família numerosa, critica o Papa Francisco num desafio à cultura do "bem-estar à qualquer custo". Com isso, o Santo Padre assevera o ensinamento de seu predecessor, Paulo VI, há muito olvidado: "O gravíssimo dever de transmitir a vida humana, pelo qual os esposos são os colaboradores livres e responsáveis de Deus Criador, foi sempre para eles fonte de grandes alegrias, se bem que, algumas vezes, acompanhadas de não poucas dificuldades e angústias" (Cf. Humanae Vitae, n. 1). A geração e o cuidado da prole não são somente um direito natural da família, mas algo que se enquadra no próprio projeto de Deus e, por isso, um dever. Com efeito, mesmo que em algumas circunstâncias surjam dificuldades, a graça de poder transmitir a vida não pode ser sobrepujada por questões banais e de ordem materialista.
