quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Notícia: Irã: Outros dois pastores cristãos foram presos por causa da sua fé.


WASHINGTON DC, 09 Ago. 12 / 04:20 pm (ACI/EWTN Noticias).- Mais dois pastores cristãos foram presos no Irã por causa da sua fé e "enfrentam um grave perigo", assinala o diretor de um centro que defende a liberdade religiosa no mundo e que tem a sua sede em Washington D.C., Estados Unidos.
Em declarações ao grupo ACI no dia 6 de agosto, Jordan Sekulow, presidente do American Center for Law and Justice (ACLJ), explicou que os pastores Farshid Fathi e Behnam Irani foram "o branco do governo" muçulmano e "estão sendo castigados pelas suas crenças cristãs".
"A nação do Irã é uma das piores quando falam de ofensas religiosas e direitos humanos", explicou. "Há muitos sofrendo por acreditar em Deus e pelo seu desejo de compartilhar sua fé", acrescentou.
Durante meses, o ACLJ lutou para chamar a atenção da comunidade internacional para liberar o pastor cristão Yousef Nadarkhani, que já estava há mais de 1000 dias na prisão depois de ter sido sentenciado a morte por ter se convertido do Islã ao Cristianismo.
Sobre os pastores Fathi e Irani, o ACLJ explicou que o governo iraniano tenta confundir à opinião pública internacional alegando que estão na prisão por "ofensas políticas" quando na realidade a única coisa que fizeram foi tentar praticar pacificamente a sua fé.
"Fathi foi detido só por causa da sua fé cristã", explica a organização e denuncia que as autoridades iranianas qualificam o anúncio do cristianismo como "ações contrárias à segurança nacional" e o acusaram também de possuir "propaganda religiosa" incluindo Bíblias e literatura cristã.
Além disso, assinalaram, o Pastor Irani, também casado e pai de família, foi acusado "de cometer ações graves contra o regime" e a sentença contra ele o qualifica como um apóstata, por isso "que pode ser assassinado".
Irani, que está em uma prisão distinta a do Fathi, sofre de sangramentos devidos a úlceras estomacais, e além disso recebeu diversas ameaças de morte por parte de outros detentos e autoridades da prisão em que está.
Sekulow disse finalmente que "Irã deve fazer-se responsável por esta conduta atroz e deve saber que o mundo está observando".

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Papa: Bento XVI: os 10 Mandamentos da Lei de Deus encorajam à vivência da verdadeira liberdade e do amor autêntico.




Vaticano, 10 Set. 12 / 07:50 pm (ACI/EWTN Noticias).- Assim afirmou o Santo Padre em uma mensagem de vídeo exibida no sábado, na Piazza del Popolo, em Roma, por ocasião do evento "Dez Praças para Dez Mandamentos" promovido pelo movimento Renovação no Espírito Santo. Trata-se de uma série de encontros de evangelização que serão realizadas ao longo do ano em várias cidades italianas.

Na mensagem, o Papa pergunta: "Qual é o desempenho destas 10 palavras, no contexto cultural de hoje no qual o secularismo e o relativismo podem tornar-se os critérios para cada eleição e em nossa sociedade que parece viver como se Deus não existisse? Respondemos que Deus nos deu os mandamentos para nos educar para a verdadeira liberdade e o amor verdadeiro, para que possamos ser verdadeiramente felizes".

Bento XVI também observa que os Mandamentos "são um sinal do amor de Deus, do seu desejo de ensinar o discernimento adequado entre o bem e o mal, entre a verdade e a mentira, entre o certo e o errado."

Os Mandamentos da Lei de Deus, diz o Santo Padre, "são compreensíveis para todos, precisamente porque estabelecem os valores fundamentais em normas e regras”.
“Quando o homem põe em prática pode caminhar rumo à verdadeira liberdade (...) que conduz à vida e à felicidade".

Pelo contrário, diz o Papa, "quando, na sua existência, o ser humano ignora os mandamentos, não só se afasta de Deus e abandona a aliança com ele: também se afasta da vida e da felicidade duradoura".

"O homem deixado a si mesmo, indiferente a Deus, orgulhoso de sua autonomia absoluta, acaba seguindo os ídolos do egoísmo, do poder, da dominação, contaminando a relação consigo mesmo e com os demais percorrendo, não os caminhos da vida mas da morte".

Bento XVI disse que "as tristes experiências da história, especialmente do século passado, são um aviso para toda a humanidade (...). Jesus leva à plenitude o caminho dos mandamentos com a sua Cruz e Ressurreição, leva à superação radical do egoísmo, do pecado, e da morte, com o dom de si mesmo por amor".

"Somente a acolhida do infinito amor de Deus, a confiança n’Ele, o seguir o caminho que ele traçou, dão um significado mais profundo à vida e inauguram um futuro de esperança", concluiu a vídeo-mensagem do Papa.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Notícia: Homem é preso por converter a 300 pessoas ao cristianismo


ROMA, 29 Ago. 12 / 04:25 pm (ACI/EWTN Noticias).- O líder cristão Bountheung foi detido recentemente pelas autoridades policiais de Laos, acusado de "ter convertido a 300 laosianos à fé cristã".
Na região, muitos fiéis habitualmente sofrem abusos contra sua liberdade religiosa pelas autoridades locais, que consideram como religiões aceitáveis somente ao budismo, o bramanismo e o animismo, enquanto que o cristianismo é considerado uma "religião estrangeira".
Conforme informou a agência vaticana Fides, Bountheung foi detido pelas autoridades no distrito de Khamkerd onde mora, na parte central do país, logo depois de ser chamado duas vezes em agosto para ser interrogado sobre a conversão ao cristianismo de 300 laosianos no seu povoado, em maio deste ano.
A ordem de prisão contra o líder cristão também implica sua expulsão da aldeia onde reside e pressiona aos 300 novos convertidos ao cristianismo a renunciar a sua fé para poder seguir morando no povoado.
A ONG Human Rights Watch for Lao Religious Freedom denunciou que a ordem de prisão contra Bountheung viola o direito à cidadania do líder cristão e o direito a filiar-se livremente a qualquer religião, tal como o garante a Constituição de Laos.
Em Nahoukou, outra aldeia do país, Tongkoun Keohavong, leigo líder da comunidade cristã do povo, foi interrogado pelas autoridades para que explique as razões do crescimento do cristianismo no seu povo.
Tongkoun Keohavong explicou que desde fevereiro de 2012 mais de 30 aldeãos abraçaram a fé cristã, exercendo seu direito à liberdade religiosa. Apesar disto, as autoridades ordenaram que ele e os outros fiéis renunciem a sua fé e interrompam suas reuniões de culto, sob ameaça de ser expulsos de seu povo.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Notícia: "Fiscal" do Vaticano: Palavra do Papa é limpa e clara contra todo tipo de abuso


Dom Charles Scicluna
VATICANO, 06 Set. 12 / 08:40 am (ACI/EWTN Noticias).- O Promotor de Justiça da Congregação para a Doutrina da Fé no Vaticano, Dom Charles Scicluna, destacou que a palavra do Papa Bento XVI "é limpa, clara e está teologicamente sustentada" contra todo tipo de abuso, incluindo claramente os abusos sexuais.
Em diálogo com Rádio Vaticano do Reino Unido aonde participa do encontro titulado "Poder redentor: Superando o abuso na Igreja e na sociedade" que acontece no St. Mary’s University College, Dom Scicluna explicou as medidas tomadas pela Igreja para evitar os abusos sexuais.
Para o sacerdote, existe a vontade no Vaticano de olhar a fundo os problemas que originaram os abusos sexuais. "Em minha opinião esta vontade é clara, quando se segue verdadeiramente o magistério do Santo Padre. Sabemos que sua palavra é uma palavra limpa, clara, que está teologicamente sustentada e que é de grande inspiração para todos".
"Diria também que o Vaticano é feito de pessoas e evidentemente estamos todos em um caminho de conversão, mas se queremos dizer para onde vai a Barca de Pedro, é necessário olhar quem a guia. E Bento XVI é um ótimo guia e tem uma liderança indiscutível neste campo que é apreciado por todos".
No encontro que participa, o Promotor de Justiça explica que participam teólogos europeus para discutir um tema fundamental para a Igreja que é "a vontade de purificar a autoridade–que é um serviço– de todo tipo de abuso".
"Isto quer dizer uma ‘corresponsabilidade’ não só dos leigos, mas também dos teólogos, que em uma realidade verdadeiramente eclesiástica procuram dar respostas às consequências do abuso do poder –falamos também dos abusos sexuais contra menores por exemplo– que são uma praga na Igreja".
Depois de ressaltar que o encontro foi uma instância importante de enriquecimento multidisciplinar, Dom Scicluna disse que assim a "Igreja pode crescer no que justamente Bento XVI chama de vontade de purificação e ser assim testemunhas mais eficazes do Evangelho".
O Promotor de Justiça disse também que "o mais importante é seguir dando passos neste caminho e estar abertos a discussões e debates que sejam inclusivos na Igreja. Não só teólogos que falem entre si".

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Artigo: Espiritismo: reencarnação e cristianismo.



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«Como se diz, os primeiros cristãos professavam a teo­ria da reencarnação. Foi somente em 533, num sínodo de Cons­tantinopla, que a Igreja imprudentemente a condenou, introdu­zindo a idéia do inferno.
Que houve propriamente nesse concílio de Constantinopla? »
Em resposta, analisaremos primeiramente a doutrina das antigas fontes do Cristianismo no tocante à reencarnação; a seguir, deter-nos­-emos sobre o citado sínodo de Constantinopla.
I. Antigos documentos cristãos e reencarnação
1. Sagrada Escritura. Nem o Velho nem o Novo Testamento dão testemunho que de algum modo insinue a doutrina da reencarnação. Ao contrário, a Escritura professa categoricamente uma só existência do homem sobre a terra, após a qual cada um é definitivamente jul­gado: «Foi estabelecido, para os homens, morrer uma só vez; depois do que, há o julgamento» (Hebr 9,27). Ao bom ladrão arrependido dizia Jesus: «Hoje mesmo estarás comigo no paraíso» (Le 23,43).
Os principais textos bíblicos concernentes a este assunto (Mt 11,14; 17,12; Jo 1,21; 3,3; 9,1-3) já foram considerados em «P.R.» 3/1957, qu. 8. Dispensamo-nos, pois, de os analisar novamente aqui, e passamos ao testemunho dos antigos escritores cristãos.
2. Os Padres da Igreja. Os adeptos da reencarnação não raro proferem afirmações como a seguinte:
«A Igreja primitiva não repele absolutamente o ensino reencarnacionista. Os primeiros padres e, entre eles, S. Clemente de Alexandria, S. Jeronimo e Rufino, afirmam que ele era ensinado como verdade tradicional a um certo número de iniciados» (Campos-Vergal, Reencarnação ou Pluralidade das Existências. S. Paulo 1936, 41).
Contudo os autores desta e de semelhantes proposições não tratam de as comprovar citando os textos sobre os quais se apoiam; é o que tira a autoridade a tais assertivas.
Quem, ao contrário, investiga diretamente as obras dos antigos escritores da Igreja, chega a conclusão bem diferente da do trecho acima transcrito. Percorramos, portanto, os escritos dos principais Padres citados pelos reencarnacionistas modernos.
S. Ireneu († 202) rejeitava explicitamente a tese da reen­carnação, lembrando que em nossa memória não nos fica ves­tígio algum de existências anteriores; de outro lado, advertia, a fé cristã ensina a ressurreição da carne, a qual é incompatível com a reencarnação das almas em novos corpos (cf. Adv. haer. II 33).
Tertuliano († 220), usando do seu estilo mordaz, opunha-se ao reencarnacionismo em famosa passagem («De anima» 28-35), que assim se pode resumir:
Pitágoras, que afirma lembrar-se das suas anteriores existências, é vergonhosamente mentiroso: asseverava, por exemplo, ter tomado parte na guerra de Troia; como explicar então que, depois, se tenha mostrado tão pouco valente? Pois, fugindo da guerra, não veio ele à Itália? E, se em vida anterior foi, segundo afirmava, o pescador Pirro, como se lhe justificará a aversão pelo peixe? (Sabe-se que Pitágoras nunca comia peixe). E Empédocles? Não pretendeu ser peixe numa existência anterior? Deve ser por isso que se atirou na cratera de um vulcão: com certeza quis ser frito. É tão absurda a migração das almas para corpos de animais que nem os próprios herejes ousaram de­fendê-la. - Tertuliano afirmava outrossim que a reencarnação contra­ria a noção de justiça de Deus, a qual exige que a punição afete o próprio corpo que cometeu o pecado, e não algum outro.
Clemente de Alexandria († 215) tinha a doutrina da reen­carnação na conta de arbitrária, pois nem as reminiscências nô-la atestam nem a fé cristã.
«Se tivéssemos existido antes de vir a este mundo, deveríamos agora saber onde estávamos, assim como o modo e o motivo pelos quais viemos a este mundo» (Eclogae XVII). Clemente notava que nunca a Igreja professara tal doutrina, a qual só fôra sustentada por conventículos de herejes ditos «gnósticos» (Basilidianos e Marcionitas).
São Gregório de Nissa († 394) é explicitamente citado pelos reencarnacionistas como adepto de sua doutrina. Quem, porém, examina os escritos deste autor, verifica que Gregôrio considera a reencarnação como fábula injuriosa à dignidade hu­mana, pois não hesita em atribuir ao homem, ao animal irracio­nal (ave, peixe, rã...) e à planta o mesmo princípio vital (cf. «De hominis opificio» 28).
Se, não obstante, os reencarnacionistas modernos apelam para a autoridade de S. Gregório de Nissa, isto se deve ao fato de que em al­guns pontos foi discípulo de Orígenes (do qual falaremos no § 2 destaresposta).
São Jerônimo († 421) é por vezes nominalmente citado em favor da reencarnação. Contudo seria difícil ou impossível jus­tificar essa «procura de patrocínio» em S. Jerônimo, pois o S. Doutor se pronunciou diretamente contrário à teoria, e isto... precisamente ao comentar o texto (muito caro aos reencarnacionistas) de Mt 11, 14, em que São João Batista é designado como Elias:
«João é chamado Elias, observa S. Jerônimo, não segundo a men­talidade de tolos filósofos e de alguns herejes, que introduzem a dou­trina da metempsicose, mas pelo fato de ter ele vindo cheio da fôrça e do zelo de Elias, como atesta outra passagem do Evangelho» (cf. Lc 1,17).
Sto. Agostinho († 430) é tido por Allan Kardec como um dos maiores divulgadores do espiritismo, pois, conforme o Codi­ficador, terá sido adepto da reencarnação. Na verdade, Sto. Agostinho, no livro X c. 30 «De civitate Dei», mostra conhecer as doutrinas reencarnacionistas de Platão, Plotino e Porfirio, que ele assim comenta:
«Se julgamos ser indigno corrigir o pensamento de Platão, por que então Porfirio modificou a sua doutrina em mais de um ponto, e em pontos que não são de pequenas conseqüências? É certíssimo que Platão ensinou que as almas dos homens retornam até mesmo para animar corpos de animais. Esta opinião foi também adotada por Plotino, mestre de Porfirio. Mas não lhe agradou, e com muita razão. É verdade que Porfirio admitiu que as almas entram em sempre novos corpos: ele, de um lado, sentia vergonha em admitir que sua mãe pudesse algum dia carregar às costas o filho, se lhe acontecesse reen­carnar-se no corpo de uma mula; mas, de outro lado, não tinha ver­gonha em acreditar que a mãe pudesse transformar-se numa jovem e desposar o seu próprio filho! Oh, quanto mais nobre é a fé que os san­tos e verazes anjos ensinaram, fé que os Profetas dirigidos pelo Espí­rito de Deus anunciaram, ... fé que os Apóstolos apregoaram por todo o orbe! Quanto mais nobre é crer que as almas voltam uma só vez aos seus próprios corpos (no momento da ressurreição final) do que admi­tir que elas tomem tantas vezes sempre novos corpos!» (De civitate Dei X 30).
Considerações análogas se poderiam multiplicar caso se quisesse continuar a percorrer a antiga literatura cristã. Isto escaparia, porém, ao intento do presente artigo. Os dizeres de Sto. Agostinho, fazendo eco à sentença de escritores mais anti­gos, principalmente dos mais evocados pelos reencarnacionistas, já bastam para mostrar que vão seria procurar nos Padres da Igreja tutela e autoridade para a doutrina da reencarnação. Quem, com sinceridade, observa a documentação patrística, é levado a concluir que na realidade a Igreja antiga, longe de en­sinar a reencarnação, se lhe opôs abertamente.
Eis, porém, que a história registra o caso de Orígenes, do Origenismo e do Concilio de Constantinopla (543), caso assaz controvertido, ao qual devemos agora voltar a nossa atenção.
II. Orígenes, Origenismo e Constantinopla
É o nome de Orígenes que por excelência dá ocasião a que alguns escritores modernos asseverem, terem os antigos cristãos admitido a doutrina da reencarnação, prosseguindo destarte uma tradição pré­-cristã. Será preciso, portanto, considerar antes do mais:
1. Quem era Orígenes?
Orígenes (185-254) foi mestre de famosa Escola Catequética ou Teológica de Alexandria (Egito) numa época em que os autores cristãos começavam a confrontar a revelação do Evan­gelho com as teses da sabedoria humana anterior a Cristo. As fórmulas oficiais de fé da Igreja eram então muito concisas; a teologia (ou seja, a penetração lógica e sistemática das propo­sições reveladas) ainda estava em seus primórdios; em conse­qüência, ficava margem assaz ampla para que o estudioso arqui­tetasse teorias e propusesse sentenças destinadas a elucidar, na medida do possível, os artigos da fé. Orígenes entregou-se a tal tarefa, servindo-se da filosofia de seu tempo e, em particular, da filosofia platônica. Ao realizar isso, o mestre fazia questão de distinguir explicitamente entre proposições dogmáticas, per­tencentes ao patrimônio da fé e da Igreja, e proposições hipo­téticas, que ele formulava em seu nome pessoal, à guisa de su­gestões, para penetrar o sentido das verdades dogmáticas; além disto, professava submissão ao magistério da Igreja caso esta rejeitasse alguma das teses de Orígenes.
Ora, entre as suas proposições pessoais, Orígenes formulou algumas que de fato vieram a ser repudiadas pelo magistério eclesiástico.
Assim, inspirando-se no platonismo, derivava a palavra grega «psyché» (alma) de «psychos» (frio), e admitia que as almas humanas, unidas à matéria tais como elas atualmente se acham, são o produto de um resfriamento do fervor de espíritos que Deus criou todos iguais e destinados a viver fora do corpo; a encarnação das almas, por­tanto, e a criação do mundo material dever-se-iam a um abuso da liberdade ou a um pecado dos espíritos primitivos, que Deus terá punido ligando tais espíritos à matéria. Banidos do céu e encarcerados no corpo, estes sofrem aqui a justa sanção e se vão purificando a fim de voltar a Deus; após a vida presente, alguns ainda precisarão de ser purificados pelo fogo em sua existência póstuma, mas na etapa final da história todos serão salvos e recuperarão o seu lugar junto a Deus; o mundo visível terá então preenchido o seu papel e será aniquilado.
Note-se bem: o alexandrino propunha tais idéias como hipóteses, e hipóteses sobre as quais a Igreja não se tinha pronunciado (justa­mente porque pronunciamentos sobre tais assuntos ainda não haviam sido necessários); não havia, pois, da parte de Orígenes a intenção de se afastar do ensinamento comum da Igreja a fim de constituir uma escola teológica própria ou uma heresia («heresia» implica em obsti­nação consciente contra o magistério da Igreja).
2. A desgraça de Orígenes, porém, foi ter tido muitos dis­cípulos e admiradores ... Estes atribuíram valor dogmático às proposições do mestre, mesmo depois que o magistério da Igreja as declarou contrárias aos ensinamentos da fé.
Ê preciso observar outrossim o seguinte: o mestre alexan­drino admitiu como possível a preexistência das almas humanas. Ora esta não implica necesariamente em reencarnação; signi­fica apenas que, antes de se unir ao corpo, a alma humana viveu algum tempo fora da matéria; encarnou-se depois... ; dai não se segue que se deva encarnar mais de uma vez (o que seria a reencarnação propriamente dita).
Aliás, Orígenes se pronunciou diretamente contrário à doutrina da reencarnação... Com efeito; em certa passagem de suas obras, con­sidera a teoria do gnóstico Basílides, o qual queria basear a reencarnação nas palavras de S. Paulo: «Vivi outrora sem lei...» (Rom 7,9). Observa então Orígenes: Basilides não percebeu que a palavra «ou­trora» não se refere a uma vida anterior de S. Paulo, mas apenas a um período anterior da existência terrestre que o Apóstolo estava vivendo; assim, concluía o alexandrino, «Basílides rebaixou a doutrina do Apóstolo ao plano das fábulas ineptas e ímpias» (cf. In Rom VII).
Contudo os discípulos de Orígenes professaram como ver­dade de fé não somente a preexistência das almas (delicada­mente insinuada por Orígenes), mas também a reencarnação (que o alexandrino não chegou de modo nenhum a propor, nem como hipótese).
Os principais defensores destas idéias, os chamados «origenistas», foram monges que viveram no Egito, na Palestina e na Síria nos séc. IV/VI. Esses monges, como se compreende, levando vida muito retirada, entregue ao trabalho manual e à oração, eram pouco ver­sados no estudo e na teologia; admiravam Orígenes principalmente por causa dos seus escritos de ascética e mística, disciplinas em que o ale­xandrino mostrou realmente ter autoridade); não tendo, porém, cabe­dal para distinguir entre proposições categóricas e meras hipóteses do mestre, os origenistas professavam cegamente como dogma tudo que liam nos escritos de Orígenes; pode-se mesmo dizer que eram tanto mais fanáticos e buliçosos quanto mais simples e ignorantes.
A tese da reencarnacão, desde que começou a ser sustentada pelos origenistas, encontrou decididos oponentes entre os escritores cristãos mesmos, que a tinham como contrária à fé. Um dos testemunhos mais claros é o de Enéias de Gaza († 518), autor do «Diálogo sobre a imor­talidade da alma e a ressurreição», em que se lê o seguinte raciocinio:
«Quando castigo meu filho ou meu servo, antes de lhe infligir a punição, repito-lhe várias vezes o motivo pelo qual o castigo, e reco­mendo-lhe que não o esqueça para que não recaia na mesma falta. Sendo assim, Deus, que estipula... os supremos castigos, não haveria de esclarecer os culpados a respeito do motivo pelo qual Ele os cas­tiga? Haveria de lhes subtrair a recordação de suas faltas, dando-lhes ao mesmo tempo a experimentar muito vivamente as suas penas? Para que serviria o castigo se não fosse acompanhado da recordação da culpa? Só contribuiria para irritar o réu e levá-lo à demência. Uma tal vitima não teria o direito de acusar o seu juiz por ser punida sem ter consciência de haver cometido alguma falta?» (ed. Migne gr. t. LXXXV 871).
Sem nos demorar sobre este e outros testemunhos anti-reencarnacionistas do séc. V, passamos imediatamente à fase culminante da luta origenista.
Na realidade, a corrente dos origenistas ou o origenismo na primeira metade do séc.VI provocou famosa celeuma teo­lógica.
Como se terá desenrolado?
3. No início do séc. VI estava o origenismo muito em voga nos mosteiros da Palestina, tendo como principal centro de pro­pagação o cenóbio dito da «Nova Laura», ao sul de Belém: aí gozavam de apreço as doutrinas referentes à preexistência das almas, à reencarnação e à restauração de todas as criaturas na ordem inicial ou na bem-aventurança celeste.
Em 531, o abade São Sabas, que, com seus 92 anos de idade, se opunha enérgicamente ao origenismo, foi a Constantinopla pedir a pro­teção do Imperador para a Palestina devastada pelos samaritanos, assim como a expulsão dos monges origenistas. Contudo alguns dos monges que o acompanhavam, sustentaram em Constantinopla opi­niões origenistas; regressou à Palestina, para aí morrer aos 5 de de­zembro de 532.
Após a morte de S. Sabas, a propaganda origenista recrudesceu, invadindo até mesmo o mosteiro do falecido abade (o cenóbio da «Grande Laura»); em conseqüência, o novo abade, Gelásio, expulsou do mosteiro quarenta monges. Estes, unidos aos da Nova Laura, não hesitaram em tentar tomar de assalto a Grande Laura. Por essa época, os origenistas (pelo fato de combater uma famosa heresia cristológica dita «monofisitismo») gozavam de prestígio mesmo em Constantino­pla, tendo sido dois dentre eles nomeados bispos: Teodoro Askidas, para a sede de Cesaréia na Capadócia; e Domiciano, para a de Ancira.
Com o passar do tempo, a controvérsia entre os monges da Palestina se tornava cada vez mais acesa, exigindo em breve a intervenção de instancia superior. Foi o que se deu em 539 num sínodo reunido em Gaza, o origenismo foi denunciado ao legado papal Pelágio. Este voltou a Constantinopla na compa­nhia de monges de Jerusalém encarregados pelo Patriarca desta cidade de pedir ao Imperador o seu pronunciamento contra o origenismo. A petição foi de fato transmitida, logrando o alme­jado êxito: Justiniano, Imperador, comprazia-se em disputas teológicas; de bom grado, portanto, escreveu um tratado contra Orígenes, de tom extremamente violento, equiparando as sen­tenças do alexandrino aos erros dos pagãos, maniqueus e aria­nos; concluía com uma série de dez anátemas contra Orígenes, dos quais especial atenção merecem os seguintes:
«1. Se alguém disser ou julgar que as almas humanas existiam anteriormente, como espíritos ou poderes sagrados, os quais, des­viando-se da visão de Deus, se deixaram arrastar ao mal e por este motivo perderam o amor a Deus, foram chamados almas e relegados para dentro de um corpo à guisa de punição, seja anátema.
5. Se alguém disser ou julgar que, por ocasião da ressurreição, os corpos humanos ressuscitarão em forma de esfera, sem semelhança com o corpo que atualmente temos, seja anátema.
9. Se alguém disser ou julgar que a pena dos demônios ou dos ímpios não será eterna, mas terá fim, e que se dará uma restauração («apokatástasis», reabilitação) dos demônios, seja anátema.»
Os outros anátemas interessam menos, pois se referem a erros cristológicos.
Justiniano em 543 enviou o seu tratado com os anátemas ao Patriarca Menas de Constantinopla, a fim de que este tam­bém condenasse Orígenes e obtivesse dos bispos vizinhos e dos abades de mosteiros próximos igual pronunciamento.
Assim intimado, Menas reuniu logo o chamado «sínodo per­manente» (conselho episcopal) de Constantinopla, o qual, por sua vez, redigiu e promulgou quinze anátemas contra Orígenes, dos quais os quatro primeiros nos interessam de perto:
«1. Se alguém crer na fabulosa preexistência das almas e na repudiável reabilitação das mesmas (que é geralmente associada àquela), seja anátema.
2. Se alguém disser que os espíritos racionais foram todos cria­dos independentemente da matéria e alheios ao corpo, e que vários deles rejeitaram a visão de Deus, entregando-se a atos ilícitos, cada qual seguindo suas más inclinações, de modo que foram unidos a corpos, uns mais, outros menos perfeitos, seja anátema.
3. Se alguém disser que o sol, a lua e as estrelas pertencem ao conjunto dos sêres racionais e que se tornaram o que eles hoje são por se terem voltado para o mal, seja anátema.
4. Se alguém disser que os seres racionais nos quais o amor a Deus se arrefeceu, se ocultaram dentro de corpos grosseiros como são os nossos, e foram em conseqüência chamados homens, ao passo que aqueles que atingiram o último grau do mal tiveram como partilha corpos frios e tenebrosos, tornando-se o que chamamos demônios e espíritos maus, seja anátema».
O papa Vigílio e os demais Patriarcas deram a sua aprovação a esses anátemas. Como se vê, tal condenação foi promulgada por um sínodo local de Constantinopla reunido em 543, e não, como se costuma dizer, pelo II concílio ecumênico de Constantinopla, o qual só se rea­lizou em 553. Neste concílio ecumênico, a questão da preexistência e da sorte póstuma das almas humanas não voltou à baila; verdade é que Orígenes aí foi condenado juntamente com alguns herejes por causa de erros cristológicos (cf. anátema XI proferido pelo mencio­nado concílio ecumênico). Os historiadores recentes rejeitam a opi­nião de autores mais antigos segundo os quais o II concílio ecumê­nico de Constantinopla se teria ocupado com a doutrina origenística concernente à preexistência das almas.
Em todo e qualquer caso, não houve condenação de Orígenes em 533, como afirmam certos escritores reencarnacionistas modernos, os quais por sua pouca meticulosidade se mostram destituidos de autoridade para tratar do assunto.
4. Na verdade, a doutrina da reencarnação deve ser tida como positivamente condenada pela Igreja não somente na base dos teste­munhos dos Padres anteriormente citados neste artigo (os quais re­presentam o magistério ordinário da Igreja), mas principalmente por efeito das declarações explícitas do II concílio ecumênico de Lião (1274): «As almas... são imediatamente recebidas no céu», e do con­cílio ecumênico de Florença (1439): «As almas... passam imediatamente para o inferno a fim de aí receber a punição» (Denzinger, Enchiridion 464. 693).
Quanto à doutrina do inferno, ela está contida na Sagrada Escri­tura e sempre foi professada pelos cristãos; cf. «P. R.» 371957, qu. 5. Errôneo, portanto, seria dizer que ela se deve a algum concilio do séc. VI.
5. Em conclusão, observamos o seguinte:
a) a doutrina da reencarnação nunca foi comum, nem é primitiva, na Igreja Católica (atestam-no os depoimentos dos antigos escritores cristãos aqui citados);
b) após Orígenes (séc. III), ela foi professada por grupos particu­lares de monges orientais, pouco versados em Teologia, os quais se prevaleciam de afirmações daquele mestre alexandrino, exagerando-as (daí a designação de «origenistas»);
c) mesmo dentro da corrente origenista, a teoria da reencarnação não teve a voga que tiveram, por exemplo, as teses da preexistên­cia das almas e da restauração de todas as criaturas na bem-aventu­rança inicial;
d) por isto as condenações proferidas por bispos e sínodos no séc. VI sobre o orígenísmo versaram explícitamente sobre as doutrinas da preexistência e da restauração das almas (o que naturalmente im­plica na condenação da própria tese da reencarnação, na medida em que esta tese depende daquelas doutrinas e era professada pelos orígenístas);
e) a doutrina da reencarnação foi rejeitada não somente pelo magistério ordinário da Igreja desde os tempos patrístícos, mas tam­bém pelo magistério extraordinário nos concílios ecuménicos de Lião II (1274) e de Florença (1439).
Fonte: Revista Pergunte e Responderemos, PR 051/1962

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Papa: Bento XVI: não ignoro o drama Oriente Médio e vou até lá para promover a reconciliação.


Vaticano, 10 Set. 12 / 08:00 pm (ACI/EWTN Noticias).- O Papa Bento XVIafirmou na tarde deste domingo, 9, que não ignora a dramática situação do Oriente Médio , região à qual ele irá no fim da próxima semana, especificamente ao Líbano, para promover a paz e reconciliação em uma situação de conflito tão difícil como a que vive a Síria.

Em sua saudação em francês aos peregrinos após a oração do Ângelus no Palácio Apostólico de Castel Gandolfo, o Santo Padre disse que : "nos próximos dias (de 14 a 16 de Setembro) irei  ao Líbano (fronteira com a Síria) em viagem apostólica para assinar a Exortação Apostólica pós-sinodal, fruto da Assembleia Especial para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos, realizada em outubro de 2010".

"Eu vou ter a feliz oportunidade de encontrar-me com o povo libanês e suas autoridades, e com os cristãos desse amado país e os que vêm de países vizinhos. Não ignoro a dramática situação frequentemente dramática vivida pelo povo desta região golpeada há tanto tempo por incessantes conflitos", disse Bento XVI.

O Papa também disse que entende "a angústia de muitos no Oriente Médio golpeados cotidianamente por sofrimentos de todos os tipos relacionados, infelizmente, às vezes fatalmente, com sua vida pessoal e familiar."

"Expresso minha preocupação por aqueles que procuram um espaço de paz, para seguirem sua vida familiar e profissional e experimentarem exílio precário. Embora seja difícil encontrar soluções para os vários problemas que atingiram a região, não podemos resignar-nos à violência e à exasperação das tensões".

O Santo Padre destacou em seguida que "o compromisso com o diálogo e a reconciliação deve ser uma prioridade para todas as partes envolvidas, e deve ser sustentado pela comunidade internacional, sempre mais consciente da importância para todo o mundo de uma paz estável e duradoura em toda a região."

Para concluir, o Papa disse que "minha visita apostólica ao Líbano, e, por extensão, a todo o Oriente Médio, está colocado sob o sinal da paz para voltar às palavras de Cristo:" Dou-vos a minha paz.

"Que Deus abençoe o Líbano! Deus abençoe a todos!”, finalizou.

domingo, 9 de setembro de 2012

Aviso: Reunião da JMJ 2013


AVISOOOOO!!!!!!

URGENTEEEEE.... haverá na QUARTA-FEIRA dia 12/09 as 16h na Igreja de Santa Clara, uma reunião do nosso pároco, todos os interessados em ir a JMJ 2013 e Representantes da Arquidiocese para discutir as opções dadas pela mesma.

É agora...Não percam!!!
 Att.